Modo Claro

Ex-Patrocinador — Extras

Extra 10 ∙ ∙ ∙ ∙ ∙ ∙

Quando ouviu isso pela primeira vez, ele estava tão empolgado que achou que daria conta de algum jeito. Nas aulas anteriores tinha aprendido sem grandes problemas as quedas, como desestabilizar o centro e o timing de puxar o adversário. Por isso achou que o ippon seoi nage também seria questão de repetir até dominar.

Mas, quando entrou na prática, a sensação foi diferente de todas as aulas anteriores. O maior problema era, claro, a diferença de porte entre Do-Heon e ele.

Cheongyeon assumiu a postura inúmeras vezes e tentou abalar o centro de Do-Heon, mas ele não se movia nem um pouco, como uma pedra enorme cravada no chão. Empurrando o ombro, puxando o braço, torcendo a cintura, o resultado era o mesmo.

— Vou tentar de novo.

Cheongyeon disse cerrando os dentes. Do-Heon, sem reação alguma, voltou a assumir a postura.

Mas Do-Heon não se erguia com facilidade. Por mais que repetisse, era igual. Além disso, com o tempo a energia acabava e ficava cada vez mais difícil aplicar a técnica.

— Haa, haa. Mestre. Isso não é falta?

No fim, exausto, Cheongyeon se deitou no chão recuperando o fôlego. O mestre lhe trouxe água.

— O que é falta?

— O Moon Do-Heon está resistindo de propósito!

De tanta indignação, Cheongyeon acabou dizendo algo digno de um aluno dedurando ao professor.

— Não existe quem fique de pé para levar um ippon seoi nage, ator.

Não era mentira, mas ele não conseguia afastar a sensação de injustiça. Chegou até a desconfiar que estava se debatendo por algo impossível desde o início.

Cheongyeon estava tão frustrado que era de enlouquecer. Naquele ritmo, ele não derrubaria Do-Heon nem daqui a um mês.

No fim, todo o treino previsto terminou sem grandes resultados, e o mestre se ausentou por um instante dizendo que ia atender uma ligação.

— Troca de roupa. Vamos voltar.

Ao contrário de Cheongyeon, cheio de apego, Do-Heon não parecia ter a menor frustração.

Bem, era natural. Ele nunca confiara na ideia de Cheongyeon gravar cenas de ação. Talvez estivesse até feliz por dentro com aquela situação.

— Espera aí.

Fuzilando as costas de Do-Heon, que ia entrar no vestiário para tirar o dogue, Cheongyeon o chamou. Ele não conseguia desistir.

— Só mais uma última vez.

Do-Heon parou um instante e olhou para Cheongyeon com ar de quem olha para um encrenqueiro.

— Yoo Cheongyeon.

— A última de verdade.

— Antes você também disse que era a última.

— Desta vez é de verdade.

Vendo aquela expressão teimosa, Do-Heon acabou aceitando o pedido.

— Faça como quiser.

Ele voltou a se postar sobre o tatame. Cheongyeon também se ergueu e o encarou de frente.

— Está se sentindo bem?

— Com o quê.

— É um truque para me impedir de gravar de propósito.

Do-Heon soltou um riso de escárnio.

— Sei lá. Isso depende de como você se preparar.

— Realisticamente falando, como é que eu vou erguer o Do-Heon-ssi e te arremessar no chão?

— Então tem que treinar à altura.

Uma resposta realmente irritante. Cheongyeon fez bico.

— Como é que ao meu redor só tem gente contra o que eu quero fazer. O Moon Jiyun e o Moon Do-Heon.

— É complexo de inferioridade.

Cheongyeon assumiu a postura de novo para buscar o timing de aplicar a técnica e soltou uma risadinha.

— Mas você sabe qual é o problema?

— Qual.

— O problema é que eu não detesto isso.

Uma das sobrancelhas de Do-Heon se ergueu de leve.

— O quê?

— Eu detesto esta situação, mas, por outro lado, gosto demais.

Junto com aquelas palavras, Cheongyeon agarrou a gola do dogue de Do-Heon. Do-Heon não teve tempo de reagir. Cheongyeon o puxou com toda a força para si.

— Yoo Cheongyeon?

No instante em que aquela voz desconcertada escapou, os lábios de Cheongyeon tocaram brevemente os dele.

Um estalo. O som explícito ressoou dentro do dojo. Ao mesmo tempo, o rosto de Do-Heon congelou.

— O que você está fazen…

Antes mesmo que Do-Heon terminasse, Cheongyeon passou imediatamente ao movimento seguinte. Para não perder o instante em que a concentração do adversário estava completamente desfeita.

Cheongyeon girou rapidamente o corpo e assumiu a postura. Como aprendeu naquele dia, desestabilizou o centro de Do-Heon e puxou aquele corpo enorme com todas as forças.

O corpo que no começo parecia nunca se mover veio na direção que ele puxava, como que por milagre.

Num instante os olhos de Do-Heon se arregalaram. E então…

Tum!

Aquele corpo imenso caiu sobre o tatame.

Como foi algo totalmente fora do previsto, Do-Heon não conseguiu executar direito nem a queda que tanto enfatizava.

— …….

— …….

Um silêncio pairou por um instante dentro do dojo.

Deitado sobre o tatame, Do-Heon contemplou o teto, sem palavras. Cheongyeon, por outro lado, cruzou os braços com um sorriso de vencedor e o olhou de cima.

— Você…

— Sucesso.

Cheongyeon ergueu o queixo, triunfante.

— Eu disse para não baixar a guarda, senhor diretor.

— …….

— Cumpra a promessa.

Justamente então o mestre, que tinha saído para atender ao telefone, voltou ao dojo.

Ele olhou alternadamente para Do-Heon deitado sobre o tatame e para Cheongyeon, sorrindo largamente, e arregalou os olhos.

— Ué? O que aconteceu?

Cheongyeon apontou Do-Heon com o dedo.

— Mestre! Eu o derrubei.

— Não me diga… com o ippon seoi nage?

O mestre pareceu surpreso por um instante, mas logo bateu palmas parabenizando. Só então Do-Heon se ergueu lentamente. E, penteando os cabelos desalinhados, respondeu no lugar de Cheongyeon.

— Sim. Foi exatamente como o senhor está vendo.

Foi uma rendição elegante.

Depois de se trocarem e saírem do dojo, os dois entraram no carro para voltar para casa.

— Vamos?

Cheongyeon disse, mas Do-Heon, no banco do motorista, não ligou o carro de imediato.

Ele ficou sentado com uma expressão rígida, como quem pondera algo, e alguns segundos depois abriu a boca.

— Sobre a cena de pular do terraço.

Cheongyeon piscou, intrigado.

— Os dispositivos de segurança você mesmo confere, sem exceção.

— Como?

— Não deixa só com a equipe, confere pessoalmente.

O rosto de Do-Heon estava mais sério do que nunca. E, nada típico dele, parecia de algum modo perturbado.

— E usa os protetores sem falta.

— …….

— Na cena de luta também, não force. Se o diretor pedir para gravar várias vezes, diz que não.

— Do-Heon-ssi.

— É melhor limitar o número de tomadas. Traz o contrato de novo que eu reviso com o advogado e negocio a inclusão de cláusulas especiais.

— Do-Heon-ssi.

— Na renegociação, muda a altura para o segundo andar e o resto resolve com CG. De qualquer forma, segundo ou quarto andar não faz diferença, e os cabos, no mínimo três…

Cheongyeon, que apenas ouvia calado, acabou caindo na risada.

Era a primeira vez que ele via Do-Heon falando tão rápido e de forma tão desconexa. Do-Heon também deve ter percebido isso, porque parou de falar por um instante.

Cheongyeon hesitou e então falou primeiro.

— Eu… vou usar dublê nas partes perigosas.

Então Do-Heon virou a cabeça, como quem ouviu algo inesperado.

— Eu vou perguntar ao diretor se dá para baixar a altura e, se ele disser que não, vou deixar com um dublê de ação.

— Por que de repente.

Cheongyeon escolheu as palavras por um instante e falou devagar.

— Porque meu marido e meu filho se preocupam demais?

— …….

— Em compensação, as outras cenas de luta eu vou tentar fazer o máximo possível. Agora eu consigo aplicar ippon seoi nage até em gente grande.

Diante daquela resposta confiante de Cheongyeon, Do-Heon acabou rindo.

— Alardear uma técnica que só funcionou por golpe de beleza é complicado.

— Golpe de beleza também é técnica. Respeite, por favor.

Sorrindo de leve, Do-Heon abriu a boca como quem ficou curioso.

— É sério?

— O quê?

— Você queria fazer pessoalmente.

Do-Heon tinha razão. Até pouco tempo antes, a vontade de fazer tudo pessoalmente era enorme. E ele achava que tinha de ser assim de qualquer jeito. Mesmo com medo e mesmo sendo perigoso.

Ele tinha certeza de que essa ambição era a paixão que todo ator deve ter. Mas, ao passar tempo com Do-Heon no dojo, seu coração começou a mudar.

— Eu ainda quero fazer.

Cheongyeon respondeu com sinceridade.

— Mas a vontade de não deixar o Do-Heon-ssi e o Jiyun preocupados é maior. …Muito maior.

— Você não acha que percebeu tarde demais?

— Mas graças a isso eu apliquei um ippon seoi nage no Moon Do-Heon. Quando é que eu ia arremessar no chão um diretor do Grupo JT?

Cheongyeon arregaçou a manga, como quem exibe os músculos.

— Daqui em diante, tome cuidado.

— Que medo, estou perdido.

Do-Heon murmurou com um rosto nada assustado. Naquele instante, Cheongyeon se inclinou para o lado e deu um beijo rápido na bochecha de Do-Heon.

— Vamos? Para casa.

Do-Heon, que tinha estancado, puxou o rosto de Cheongyeon para si e o beijou mais fundo. Pouco depois, afastando os lábios, respondeu:

— Vamos.

No fim, a promessa acabou cumprida. Porque Do-Heon permitiu a gravação.

O coração de Cheongyeon mudou um pouco no meio do caminho, mas os dias de esforço para conquistar aquele resultado lhe pareceram bastante gratificantes.

— Mas, se eu insistisse até o fim em pular pessoalmente, o que você ia fazer?

Ele perguntou por curiosidade repentina, e Do-Heon pressionou as têmporas como se só de pensar já lhe doesse a cabeça.

Justamente então pegaram um sinal e o carro parou. Batendo de leve o volante com as pontas dos dedos, Do-Heon escolheu as palavras.

— Eu pensei em investir no filme e mandar alterar o roteiro, ou marcar uma conversa em separado com o diretor. Ou então tinha a opção de ir pessoalmente ao set.

— Havia vários cenários…

— Havia vários cenários.

Do-Heon respondeu como se fosse piada, mas aos ouvidos de Cheongyeon aquilo não soou nem um pouco como piada. Conhecendo Do-Heon, ele achava que ele realmente faria isso, reduzindo os riscos ou mudando o roteiro de algum jeito. E que esconderia dele até o fim.

— Haa, por favor, para de gastar dinheiro com bobagem desse tipo.

— Como você recuou um passo, no fim tudo acabou bem. Pensando bem, o Jiyun teve um papel importante.

Do-Heon riu baixinho, como quem acha Jiyun adorável demais só de pensar nele. Aquela imagem era ao mesmo tempo irritante e curiosa, porque agora ele sorria sem constrangimento diante dele.

— Tsc, todo derretido. Devem se entender muito bem, vocês dois.

— Bem, o Jiyun puxou a você.

Enquanto bicavam assim, o sinal abriu. A conversa dos dois continuou sem parar até chegarem em casa.

∙ ∙ ∙ ∙ ∙ ∙

Fim dos extras.

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Último capítulo! :)
Ler Ex Sponsor (Novel) mangá

Sinopse: 

Cheong-yeon exige o divórcio de Do-heon, encerrando seu casamento de três anos.
— Acho que já vi o suficiente, tanto o bom quanto o ruim. Vamos acabar com isso. Por favor, divorcie-se de mim, Do-heon.
E assim, Yoo Cheong-yeon adiciona “divorciado” à sua lista de títulos, ao lado de ex-ídolo fracassado e formado no ensino médio. Enquanto ele luta para retomar sua carreira de ator, que havia abandonado devido à oposição de Do-heon, seu ex-marido começa a agir de forma estranha.
— É apenas imaginação minha, ou Do-heon, que nunca demonstrou o menor interesse por mim antes, continua por perto?
Eventualmente, Do-heon chega a propor um acordo de patrocínio a Cheong-yeon.
— Patro…cínio?
— Uma vez por semana. Encontrar-me toda sexta-feira à noite.
— Por que eu deveria aceitar patrocínio de você, Diretor?
— Porque eu posso conseguir um papel para você naquela novela. Como protagonista, é claro.
Cheong-yeon quer recusar categoricamente, dizendo-lhe para não falar bobagens, mas a oferta do ex-marido rico é tentadora demais.
— Mas esse cara nem gostava de fazer sexo comigo quando estávamos juntos.
A atitude imprevisível de Do-heon deixa Cheong-yeon confuso.
— Tudo bem. Eu aceito se não houver contato físico. Não é como se você estivesse fazendo essa oferta porque quer dormir comigo, de qualquer forma.
— Por que você pensaria que eu não exigiria sexo de você?
Os olhos de Cheong-yeon se arregalaram com essas palavras inesperadas.
— O quê?
— Mesmo que estejamos divorciados agora, fomos casados legitimamente.
— Então… isso significa…
— É claro que sexo está incluído. Essa não é a condição básica de um patrocínio?
Nome alternativo: Ex Patrocinador Ex Sponsor

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