Modo Claro

Ex-Patrocinador — Extras

Extra 5 ∙ ∙ ∙ ∙ ∙ ∙

Felizmente, Jiyun estava sentado quietinho na cadeirinha, passando o tempo dobrando um lencinho de um lado e de outro. Valeu a pena ter ido ao médico: ele não parecia doente.

Aliviado, Cheongyeon conferiu em seguida as horas. E logo não teve como não se horrorizar.

21h08.

— Merda. E agora.

Uma exclamação cheia de desespero lhe escapou sozinha.

Ele achava que tinha dormido pouco, mas já passava das nove da noite.

— Ei, Moon Jiyun. Você que vive choramingando, por que não acordou o papai?

— Papai fez soninho. O Jiyuni cantô musiquinha pra dormi.

— Não, mas justo hoje, você que sempre me acorda, foi cantar cantiga de ninar…!

Cheongyeon, que de tão incrédulo já ia culpar Jiyun, logo se lembrou da idade dele. O que uma criança vai saber? Ainda mais de três anos.

Com a situação tão urgente, ele já estava falando bobagem até com o filho. Fechando a boca com firmeza, Cheongyeon tirou o celular.

— Papai dormiu bem?

— Hmm… O problema é que dormi bem demais, agora.

— Por quêee?

— O papai Moon Do-Heon deve estar muito aflito. E agora, Jiyun-a.

32 chamadas perdidas. Cheongyeon fechou os olhos com força.

Ao reabri-los, nesse meio-tempo entrava outra ligação. O remetente, obviamente, era Do-Heon.

Cheongyeon respirou fundo e apertou o botão de atender.

— Alô…

— Onde você está.

— Aqui… no estacionamento da sua empresa…

Cheongyeon falou com um fio de voz. A rigor, a única coisa errada que ele fez, foi dormir no estacionamento. E não era um erro tão grande.

Mas o problema era que, pelo contexto, era uma situação em que Do-Heon tinha motivo para se preocupar. Tinham discutido de manhã e, por coincidência, naquele dia não tinha ido trabalhar.

Num dia desses, sumir com Jiyun e ficar incomunicável — não havia como Do-Heon não se inquietar.

— Estacionamento da empresa? Espera aí.

Quando aquela voz grave saiu pelo alto-falante, Cheongyeon sentiu o sangue esfriar.

— Não! Não, Do-Heon-ssi, você está em casa? Eu vou para aí agora.

— Você…

— O-o Jiyun disse que quer ir para casa também. Eu vou.

— Não aconteceu nada, certo?

Do-Heon perguntou num tom sem oscilação. À primeira audição era uma voz parecida com a de sempre, mas Cheongyeon sabia. Que ele estava contendo a raiva.

— Não aconteceu nada. Desculpa por não atender. Eu só ia fechar os olhos um instante aqui…

— Chega em trinta minutos.

— Sim. Vou já!

Antes mesmo de terminar de responder direito, a ligação caiu de uma vez.

No começo ele achou que Do-Heon tinha desligado de raiva, mas logo descobriu que a bateria tinha acabado e o aparelho se desligou.

E se o Do-Heon entender errado de novo? Preocupado com isso, Cheongyeon dirigiu às pressas para casa.

Jiyun, com a febre já completamente baixada, cantava cantigas com afinco sozinho.

— Coelhinho, coelhinho. Aonde você vai?

— Haa, eu só queria fazer as coisas direito.

— Pulando! Pulando! Correndo.

Cheongyeon riu e ao mesmo tempo fez cara de choro ao ver Jiyun animado pelo retrovisor.

— Ainda bem que pelo menos você está animado…

Ele avistou Do-Heon de pé diante da casa pela janela do carro.

Cheongyeon reduziu a velocidade e parou o carro devagar.

Então a cabeça de Do-Heon, imóvel como uma estátua, se voltou para aquela direção.

Mesmo sendo quase dez da noite, ele estava com o mesmo terno com que saiu de manhã.

— Desce.

Assim que Cheongyeon parou o carro diante de casa, Do-Heon se aproximou e disse. Ele logo tirou Jiyun da cadeirinha no banco de trás.

Ao mesmo tempo, uma empregada saiu de dentro da casa. Parecia ter vindo às pressas após um chamado de Do-Heon. Do-Heon entregou Jiyun a ela.

Medindo a situação, a empregada recebeu Jiyun e entrou em silêncio na casa.

— …….

— …….

Ficando os dois sozinhos, a expressão de Do-Heon era mais fria do que nunca. Como ultimamente ele não via aquele rosto, Cheongyeon sentiu o coração afundar.

— Do-Heon-ssi. Deixa eu explicar primeiro. Hoje era o dia em que a babá e a senhora não vinham, e justamente o Jiyun teve febre. Então a gente foi ao médico e…

— Para que serve o motorista, então.

Do-Heon cortou e rebateu.

— Eu disse para você não andar sozinho por aí. Esqueceu?

— E-eu achei que isso eu podia fazer sozinho. Era tudo de carro. E eu mandei uma mensagem na frente da sua empresa…

— Se você tivesse ao menos deixado uma mensagem, a esta hora não teria um monte de gente na rua procurando você e a criança.

Aquilo era um mistério. Ele tinha certeza de ter mandado a mensagem. Será que se confundiu de tão atordoado?

Cheongyeon, inquieto, observava a reação de Do-Heon.

— Que estranho. Eu mandei mensagem de verdade.

— Além disso, hoje, se você sai na rua, tem gente aos montes que reconhece o seu rosto, e você levou a criança ao médico sozinho?

— Eu estava de máscara e boné, ninguém me reconheceu.

Quanto mais Cheongyeon falava, mais a expressão de Do-Heon se contraía com aspereza. A ponto de dar medo de encará-lo.

— Você acha que isso é desculpa para ficar incomunicável até tão tarde? Para começar, se a criança estava com febre, você devia ter falado comigo primeiro.

— Porque você devia estar ocupado. Eu só… não queria te preocupar…

A voz de Cheongyeon foi ficando menor. Do-Heon soltou um longo suspiro.

Depois de um breve silêncio, ele falou.

— O Moon Jiyun é seu filho, mas também é meu filho. E você é meu marido. Qual é o problema de um pai e marido se preocupar com a família?

— Eu…

O tórax de Do-Heon inflava e esvaziava repetidamente. O pomo de adão subindo e descendo, as veias saltadas no queixo, tudo mostrava o quanto ele estava suportando aquela situação.

Cheongyeon queria se justificar dizendo que apenas fez o melhor possível dentro da situação daquele dia. Mas, para insistir nisso, Do-Heon estava certo.

Se ele tivesse ligado para ele desde o início, se tivesse chamado o motorista, não teria sido preciso preocupá-lo a esse ponto.

Mesmo repetindo para si mesmo que não havia um único ponto errado no que Do-Heon dizia, num canto do coração de Cheongyeon a mágoa não desaparecia.

— Diz logo que você está com raiva do que aconteceu de manhã. Em vez de ficar dando desculpas esfarrapadas assim.

Era justamente essa atitude que o magoava.

Ele desconfiava que Cheongyeon tinha deixado de atender de propósito e sumido por causa da divergência daquele dia. E era com isso que Do-Heon estava ainda mais bravo.

Mesmo sem má intenção alguma, não havia como evitar que a situação fizesse parecer aquilo. E, por mais sinceramente que ele se explicasse ali, Do-Heon também consideraria aquilo desculpa.

Ele queria gritar perguntando por que ele ficava interpretando seus atos e pensamentos ao próprio bel-prazer, mas, quando erguia a cabeça e encarava Do-Heon, o que ia dizer voltava garganta abaixo.

Porque seus cabelos desgrenhados e a camisa amassada entraram em seu campo de visão. E até a gravata que ele mesmo amarrara de manhã sumiu sabe-se lá para onde. Olhando bem, três botões da camisa estavam abertos.

Ao ver alguém que valoriza acima de tudo a impecabilidade daquele jeito, mais desalinhado do que nunca, sua disposição de brigar cedeu um pouco.

Cheongyeon mudou de ideia e decidiu pedir desculpas. De qualquer forma, ele tinha passado o tempo todo dormindo tranquilamente, e nesse meio-tempo Do-Heon esteve preocupado.

— Desculpa. Eu jamais faria isso de propósito para te preocupar.

Quando Cheongyeon se desculpou primeiro, Do-Heon estreitou os olhos e baixou o olhar para ele.

— Mas… se a criança está doente, dá para levar ao médico sozinho, não dá?

— Não te ocorreu que devia me contar?

— Eu sei que você está na empresa, não dá para pedir para você vir na hora.

— Estando eu na empresa ou no exterior, é óbvio que eu tenho que saber. Se tivesse avisado ao menos o motorista, eu não teria me preocupado assim.

Mesmo depois do pedido de desculpas, o sermão de Do-Heon continuou. Não tinham se passado nem alguns minutos desde que ele jurara ser paciente, e a paciência de Cheongyeon também chegava ao limite.

Ele, à sua maneira, tinha tentado fazer bem as coisas, e o outro não entendia nada, o que dobrava a mágoa.

Além disso, Do-Heon era pai de Jiyun, mas ele também era. Se a criança adoece, é óbvio levá-la ao médico. Ele não entendia por que precisava ser tratado como um problema por causa disso. Não conseguia se livrar da impressão de que era Do-Heon quem o tratava não como pai do Moon Jiyun, mas como criança.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse: 

Cheong-yeon exige o divórcio de Do-heon, encerrando seu casamento de três anos.
— Acho que já vi o suficiente, tanto o bom quanto o ruim. Vamos acabar com isso. Por favor, divorcie-se de mim, Do-heon.
E assim, Yoo Cheong-yeon adiciona “divorciado” à sua lista de títulos, ao lado de ex-ídolo fracassado e formado no ensino médio. Enquanto ele luta para retomar sua carreira de ator, que havia abandonado devido à oposição de Do-heon, seu ex-marido começa a agir de forma estranha.
— É apenas imaginação minha, ou Do-heon, que nunca demonstrou o menor interesse por mim antes, continua por perto?
Eventualmente, Do-heon chega a propor um acordo de patrocínio a Cheong-yeon.
— Patro…cínio?
— Uma vez por semana. Encontrar-me toda sexta-feira à noite.
— Por que eu deveria aceitar patrocínio de você, Diretor?
— Porque eu posso conseguir um papel para você naquela novela. Como protagonista, é claro.
Cheong-yeon quer recusar categoricamente, dizendo-lhe para não falar bobagens, mas a oferta do ex-marido rico é tentadora demais.
— Mas esse cara nem gostava de fazer sexo comigo quando estávamos juntos.
A atitude imprevisível de Do-heon deixa Cheong-yeon confuso.
— Tudo bem. Eu aceito se não houver contato físico. Não é como se você estivesse fazendo essa oferta porque quer dormir comigo, de qualquer forma.
— Por que você pensaria que eu não exigiria sexo de você?
Os olhos de Cheong-yeon se arregalaram com essas palavras inesperadas.
— O quê?
— Mesmo que estejamos divorciados agora, fomos casados legitimamente.
— Então… isso significa…
— É claro que sexo está incluído. Essa não é a condição básica de um patrocínio?
Nome alternativo: Ex Patrocinador Ex Sponsor

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