Modo Claro

— Des-, desde quando você está aí?

Segurando o peito, que batia descompassado, Cheongyeon gaguejou sem perceber.

Não era exagero dizer que a expressão “quase morri de susto” existia justamente para aquele momento.

Mesmo tendo ouvido a pergunta, Do-Heon apenas estreitou os olhos e ficou contemplando Cheongyeon em silêncio, sem abrir a boca.

Num instante, inúmeras dúvidas passaram pela cabeça de Cheongyeon.

Achei que ele tinha saído, por que o Moon Do-Heon está aqui? Não me diga que ele nem saiu e ficou esperando desde o início? Não, não pode ser. Eu conferi que o quarto estava vazio agora há pouco. Aliás, quando foi que ele pegou meu celular? Ele deve ter percebido que eu ia fugir, né?

— Que expressão de quem está pensando demais.

Havia farpas naquelas palavras. Cheongyeon, apanhado em flagrante, procurou desesperadamente uma desculpa.

Mas, a menos que a pessoa fosse idiota, qualquer um veria que suas roupas e seus gestos eram os de alguém flagrado tentando sair do quarto de hotel.

— …O senhor diretor é que… não tinha saído?

— Saí, mudei de ideia e voltei. Achei que seria mais rápido mandar meu assistente.

— …….

— Ainda bem que, por precaução, eu levei o celular e o cartão-chave.

Do-Heon se aproximou de Cheongyeon, caído sobre o carpete sem forças como o protagonista de uma tragédia, e apalpou sua testa.

— Disse que estava com dor de cabeça, mas parece ótimo. Vendo como se mexia bem, feito um esquilo.

Diante do contato inesperado, Cheongyeon se sobressaltou e recuou a cabeça.

Ele achou que Do-Heon estivesse com raiva, mas o feromônio alfa que se transmitia por sua mão demonstrava excitação de forma explícita.

Cheongyeon baixou lentamente o olhar, que estava fixo no rosto dele. Como esperava, a frente da calça que Do-Heon vestira às pressas antes de sair estava saliente. Tão rígida que dava para ver o contorno do pênis.

Sendo ciclo de rut, de certo modo era uma reação natural, mas ele pensou que seria até melhor se ele ficasse bravo e o interrogasse sobre por que tentara fugir.

— Já trocou de roupa nesse meio-tempo.

Do-Heon curvou o corpo até ficar na altura dos olhos de Cheongyeon e brincou com a gola da roupa.

— Será que eu devia ter rasgado tudo de uma vez?

E então murmurou aquela frase sinistra consigo mesmo, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Com medo de que ele pusesse em prática o que dissera, Cheongyeon empurrou às pressas sua mão.

Toc, toc.

Nesse momento, ouviram-se batidas do lado de fora.

— Hep.

Não me diga que é da equipe? Ou a Jeong Soeun?

Ao contrário de Cheongyeon, que se levantou de um salto, assustado, Do-Heon se ergueu com toda a naturalidade e caminhou até a porta.

— Senhor diretor?

Ao ver Do-Heon segurar a maçaneta, Cheongyeon ficou horrorizado.

— Senhor diretor. Trouxe os itens que o senhor pediu.

Ao perceber que a voz vinda de fora era a do assistente, Cheongyeon soltou um suspiro de alívio.

Do-Heon abriu a porta, recebeu o pacote que o assistente lhe estendia e fechou a porta de novo. E, depois de remexer no conteúdo do pacote, colocou tudo sobre o aparador.

Remédio para ressaca e antitérmico, petiscos, bebidas, perfume para encobrir feromônio e por aí vai — tudo despencou e rolou sobre o tampo do aparador.

— Fiz questão de mandar comprar e parece que não é necessário.

— Senhor diretor, é que… eu estive pensando. Nós fazermos isso agora é… demais… hmp.

Do-Heon o beijou, como que interceptando suas palavras. Com isso, o que ele ia dizer voltou todo garganta abaixo.

Cheongyeon, incapaz de suportar o peso que se abateu sobre seu corpo, cambaleou e ainda assim não conseguiu empurrá-lo direito. Porque, junto com a respiração de Do-Heon , o feromônio alfa fluía por seu corpo inteiro.

Com a sensação de um arrepio se espalhando pelas veias, ficou arrebatado a ponto de a nuca formigar.

— O ciclo de cio ainda nem terminou e você ia sair sozinho para onde. Hã?

— Haaa.

Afastando os lábios por um instante, Do-Heon sussurrou em seu ouvido em tom de repreensão.

— É bom que você não esteja doente, mas isso me irrita um pouco.

— É que eu, eu lembrei dos meus compromissos…

— Você acha que eu não pensei nisso de antemão?

Ao ouvir a desculpa esfarrapada, Do-Heon soltou um risinho de escárnio.

— Uê? Ah!

E, empurrando Cheongyeon sem dar ouvidos a nada, fez com que ele recuasse até que algo tocasse a parte de trás de seus joelhos.

Assustado, Cheongyeon virou a cabeça e viu um armário.

Era o armário instalado ao lado da porta, destinado a pendurar casacos. Dentro estavam a pequena mala de Cheongyeon e algumas peças de roupa.

Como ele mesmo tinha revirado tudo pouco antes procurando o que vestir, as portas do armário estavam todas abertas.

— Senhor diretor?

Do-Heon pressionou com firmeza os ombros de Cheongyeon. Sem lugar para onde recuar, Cheongyeon acabou sendo empurrado para dentro do armário numa posição desajeitada.

Diante do mau pressentimento que o invadia, Cheongyeon ergueu os olhos para ele. Ao entrar no armário de portas escancaradas, a sombra caiu sobre o rosto de Do-Heon e ele já não o via bem.

— Desculpa mesmo por ter mentido. É que, estando eu cio e o senhor diretor no rut, eu me desesperei de repente…

— Por isso eu te dei a chance de parar antes de começar.

— Sinceramente, naquela hora nós dois não estávamos, não estávamos no juízo perfeito. A gente estava bêbado, não, claro que eu ainda estou meio bêbado agora, mas… naquela hora eu estava mais, ah.

Do-Heon ouvia aquele falatório desconexo pela metade enquanto enterrava o rosto na nuca de Cheongyeon. E pôs a mão na cintura de sua calça.

— Senhor diretor, hng. Espera aí.

Sem lhe dar tempo de impedir, ele soltou num instante a fivela da calça de Cheongyeon e a desceu até as coxas. Cheongyeon tentou tardiamente resistir para que ele não tirasse a calça, mas já era tarde demais.

Quando a roupa de baixo apareceu, Do-Heon virou o corpo de Cheongyeon de costas e o fez se apoiar no armário.

— A-aqui você não vai fazer, né?

Cheongyeon estancou e tentou se endireitar, mas Do-Heon o impediu de imediato.

— Vou fazer aqui, sim.

Havia uma teimosia estranha em sua voz.

Cheongyeon percebeu que estava numa enrascada e tanto.

Enquanto congelava por um instante, sem saber o que fazer com a sensação de vazio na parte de baixo, ouviu atrás de si o som de um zíper descendo.

— Você vai fazer aqui de verdade? Para de brincadeira.

Nenhum dos dois tinha nem tirado a roupa. A calça de Cheongyeon fora abaixada, mas estava pendurada de qualquer jeito nas coxas, e a parte de cima continuava intacta. Além disso, aquilo era em frente a um armário.

— Não estou brincando.

— Ah, por favor…

Cheongyeon tentou mudar a posição em que estava, com o tronco curvado para a frente e as nádegas empinadas na direção de Do-Heon, mas a força com que ele pressionava suas costas por trás era tanta que ele não conseguiu se mexer nem um pouco.

No começo achou que não fosse acontecer, mas logo sentiu o pênis rígido de Do-Heon contra as nádegas. Através da fina camada da roupa de baixo, o calor escaldante da coluna se transmitia por inteiro.

Do-Heon puxou de lado a roupa de baixo de Cheongyeon, empurrou-a e cravou o pênis ali mesmo.

— Uhng.

Sentiu-se pressão ao forçar a carne fechada a se abrir de novo, mas foi só por um instante. O pênis logo entrou suavemente até a raiz.

— Huuu…

As paredes internas ainda estavam razoavelmente molhadas.

Do-Heon soltou um gemido baixo e olhou para as nádegas que abocanhavam seu pênis. Pareciam um pudim de leite bem firme.

Embora ele estivesse vestido, Do-Heon conseguia desenhar nitidamente diante dos olhos que, sob a camiseta, as costas retas de Cheongyeon estavam estremecendo.

— Todo molhado assim e você queria ir aonde? Hã?

— Haa… senhor diretor.

Do-Heon manteve os olhos fixos nas nádegas que tremiam em pequenas convulsões e puxou o pênis. Então, do ponto de união, veio um som úmido e viscoso.

— Achei que o sêmen tivesse saído todo, mas ainda tem.

Do-Heon murmurou enquanto acariciava com o polegar o orifício inchado e avermelhado.

Ao redor daquela entrada delicada, aberta e retesada por acolher a coluna, escorria um líquido esbranquiçado.

— A-aqui… não, na cama… hnnn.

Cheongyeon balançou a cabeça e apoiou o tronco na gaveta do armário.

Ele queria dizer para não fazerem aquilo perto da porta e irem para a cama, por favor, mas as frases se desfaziam no meio o tempo todo.

Como Do-Heon dissera, ainda restava bastante sêmen que ele deixara dentro dele, porque a cada movimento do pênis um líquido pegajoso escorria entre suas pernas.

Quando Cheongyeon balançou a cabeça e estremeceu, Do-Heon agarrou com força a carne de suas nádegas e começou a impulsionar a cintura com brutalidade, como quem aplica um castigo.

— Ahng!

Pluft! O som de carne batendo perfurou seus ouvidos. Ao mesmo tempo, o pênis, que quase saíra por completo, voltou a invadir seu ventre.

Um prazer agudo, a ponto de fazer as lágrimas jorrarem, despertou rapidamente cada uma das células de seu corpo.

Uma pressão daquelas deveria doer, mas o feromônio embasava a dor. Era como se toda a sensação dolorosa estivesse paralisada, para que ele só pudesse sentir prazer.

— Aah, ah! Hng.

A parte de baixo, que ele mal tinha conseguido limpar, ficou de novo pegajosa e encharcada.

A pélvis de Do-Heon batia em suas nádegas enquanto o pênis investia sem piedade. E, naturalmente, as respirações ofegantes dos dois se enlaçavam no ar.

— Hnnng. Ah, hng!

Cheongyeon gritava de prazer a cada vez que a glande grossa tocava certo ponto no fundo das paredes internas. Sentia com nitidez a superfície da coluna, com as veias saltadas e irregulares, raspando as paredes internas de ponta a ponta.

Sem perceber, Cheongyeon estremeceu e apertou o orifício com força.

— Huuk.

Ao ouvir atrás de si o gemido satisfeito de Do-Heon, a excitação subiu de forma estranha. Mesmo sem poder ver o rosto de Do-Heon, naquela posição de costas com apenas as nádegas empinadas, a sensualidade que lhe chegava pela audição fez os pelos da nuca se eriçarem.

Sacudido conforme Do-Heon cravava a cintura em golpes surdos, Cheongyeon expeliu uma respiração curta e ergueu a cabeça.

E, assim, seus olhos encontraram os de alguém.

— Uhng, hng… Ah…?

Era ele mesmo, refletido no espelho colado na parte interna da porta do armário.

∙ ∙ ∙ ∙ ∙ ∙

Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse: 

Cheong-yeon exige o divórcio de Do-heon, encerrando seu casamento de três anos.
— Acho que já vi o suficiente, tanto o bom quanto o ruim. Vamos acabar com isso. Por favor, divorcie-se de mim, Do-heon.
E assim, Yoo Cheong-yeon adiciona “divorciado” à sua lista de títulos, ao lado de ex-ídolo fracassado e formado no ensino médio. Enquanto ele luta para retomar sua carreira de ator, que havia abandonado devido à oposição de Do-heon, seu ex-marido começa a agir de forma estranha.
— É apenas imaginação minha, ou Do-heon, que nunca demonstrou o menor interesse por mim antes, continua por perto?
Eventualmente, Do-heon chega a propor um acordo de patrocínio a Cheong-yeon.
— Patro…cínio?
— Uma vez por semana. Encontrar-me toda sexta-feira à noite.
— Por que eu deveria aceitar patrocínio de você, Diretor?
— Porque eu posso conseguir um papel para você naquela novela. Como protagonista, é claro.
Cheong-yeon quer recusar categoricamente, dizendo-lhe para não falar bobagens, mas a oferta do ex-marido rico é tentadora demais.
— Mas esse cara nem gostava de fazer sexo comigo quando estávamos juntos.
A atitude imprevisível de Do-heon deixa Cheong-yeon confuso.
— Tudo bem. Eu aceito se não houver contato físico. Não é como se você estivesse fazendo essa oferta porque quer dormir comigo, de qualquer forma.
— Por que você pensaria que eu não exigiria sexo de você?
Os olhos de Cheong-yeon se arregalaram com essas palavras inesperadas.
— O quê?
— Mesmo que estejamos divorciados agora, fomos casados legitimamente.
— Então… isso significa…
— É claro que sexo está incluído. Essa não é a condição básica de um patrocínio?
Nome alternativo: Ex Patrocinador Ex Sponsor

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